Depois de estreia em Los Angeles e Nova York, novo filme de Hélio de La Peña chega ao Brasil no Fica

 

Por Manuela Costa / Fotos: Silvio Quirino

Rodeado pelos quilombos de Goiás, o cineasta Jeferson De se sente em casa para o lançamento de seu novo filme. A comédia “Correndo Atrás”, criada, dirigida e produzida por negros e negras, foi exibida para o público brasileiro pela primeira vez na 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental – Fica 2018 na noite deste sábado (8). O diretor dedicou o filme à memória de Marielle, vereadora negra assassinada no começo do ano.

O criador da história, Hélio de La Peña, acredita que a maior conquista do longa foi dar oportunidade de emprego e visibilidade para negros, que não têm acesso à produçao audiovisual no país. Sempre que reclamam da falta de pluralidade nas telas, Jeferson De chama a atenção para a ausência de diversidade na cadeia produtiva do cinema. Para o diretor paulista, a internet e as redes sociais são as principais ferramentas de empoderamento da juventude negra porque oferecem um espaço mais acessível para produção e exibição audiovisual, mas a representatividade na grande mídia inspira uma reflexão mais ampla sobre a questão racial no país.

Para Jeferson, como realizador, “Correndo Atrás” faz parte de um processo de investigação do sorriso negro, que surge mesmo em meio ao sofrimento e à dor. Diante do genocídio dos jovens negros no Brasil, um sorriso branco contra a pele preta pode ser revolucionário. Juan Paiva, ator de produções como “Totalmente Demais”, novela em que contracenou com La Peña, ficou muito feliz de integrar a equipe que transformou o livro “Vai na bola, Glanderson”, escrito por Hélio dez anos atrás, em filme. Esta é a primeira vez do ator e do roteirista em goiás.

O filme
Glanderson é um moleque bom de bola que acaba metido nas confusões de Ventania, malandro que faz o possível e o impossível atrás de uns trocados. Enforcado de dívidas, Ventania decide virar empresário do garoto e arranca dinheiro de todos os seus amigos e conhecidos para concretizar a ideia. O filme é leve e roubou risadas da plateia lotada. Com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol, o assunto veio bem a calhar.

Depois da exibição, Jeferson, Juan, Hélio e a produtora do filme, Clélia Bessa, participaram de uma roda de conversa com o público. Para a equipe, a alegria é o grande tema do filme, que celebra a diferença das trajetórias dos personagens negros como uma riqueza da negritude no Brasil. A obra também é cheia de signos e reflete, ainda que por meio da comédia e sem assumir um caráter panfletário, sobre questões contemporâneos da questão racial no Brasil como os padrões de beleza das mulheres, a presença de negros em posições de poder e a noção de comunidade. Hélio agradeceu o envolvimento do público com o filme e declarou que conta com a plateia para a divulgação de uma obra produzida e encenada por pretos.