Produtor abordou questões ligadas ao desenvolvimento e estruturação de projetos

A série de oficinas promovidas durante a 21ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) foi encerrada na tarde desta sexta-feira (20/11), com o tema Desenvolvimento e Estruturação de Projetos, ministrada pelo diretor e roteirista Marcus Ligocki – produtor de sete longas-metragens de diretores como Vladimir Carvalho, Renato Barbieri e Iberê Carvalho.

Realista quanto aos prós e contras da carreira cinematográfica no Brasil e no mundo, Marcus Ligocki também conseguiu abordar assuntos delicados do setor com humor e otimismo.

O produtor ressaltou, em vários momentos da oficina, a importância de se envolver de corpo e alma com o projeto em que se está trabalhando, para que o resultado seja satisfatório e os desgastes, menores. “Você não pode fazer um processo para testar, não acredito nisso. Vai tomar seu tempo e energia. Faça (cinema) de verdade desde o primeiro projeto, para chegar à realização máxima”, disse.

Segundo Marcus Ligocki, quando se trata de cinema, acreditar no que se está fazendo é crucial.  Até o material se tornar um filme, grande valor monetário e tempo são demandados dos envolvidos. “Nada é impossível. Estamos, sim, num momento desafiador (para a produção nacional), mas sempre fiz assim. Acreditar é fundamental”, afirmou.

Neste sentido, ele orientou aos novos realizadores e aspirantes à carreira de cinema a não ignorar ou menosprezar o valor das parcerias, mas ressaltou que deve ser feito de forma despretensiosa, com interesse na troca de experiências.  “Eu, no começo, me dediquei a ajudar em projetos de outras pessoas e isso foi me possibilitado amizades, aprendizado, para depois realizar os meus (projetos)”, contou.

Sobre como conseguir financiamento para filmagem e posterior distribuição do filme, Ligocki, que é também sócio-fundador da produtora brasiliense Ligocki Entretenimento, discorreu sobre incorporar valor ao material e qual a dinâmica de construção do valor percebido. “Como encontrar um bom financiador, sem provar que sou um bom diretor? Antes, é preciso ter atraído para o projeto parceiros de renome, bons atores e etc”, explicou, completando que isso ocorre com a fórmula apresentada no início da oficina: acreditando que nada é impossível e persistindo.

Respondendo a perguntas dos participantes, ele foi direto ao ponto sobre a necessidade de que haja compreensão do realizador quanto às demandas do mercado. “Como produtor, não se pode ignorar que um distribuidor é uma empresa privada. Sua obra tem que gerar retorno financeiro, pois se isso não ocorre, se há um erro, o prejuízo pode gerar uma dívida impagável, até fechar a empresa”, alertou.

E, para concluir, o diretor provocou os participantes com questionamentos sobre realidade e responsabilidade com a carreira. Um deles foi o de que, no geral, os realizadores não querem se envolver com a etapa de distribuição, “que é trabalhosa”, mas que, no atual cenário de produção de cinema do Brasil, é fundamental. “Nós estamos construindo todos os dias o ambiente da nossa profissão”.