Os pilares da cadeia produtiva no cinema foram temas da mesa de meio ambiente do segundo dia de programação do festival

 

Como fazer cinema dentro de uma cadeia produtiva destacando a sustentabilidade como eixo central do Fica? Essa foi uma das pautas da mesa de meio ambiente “O Cinema Sustentável”, promovida nesta terça-feira (17/11), no segundo dia de programação do 21º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2020).

Com mediação da produtora Ana Rabêlo, o debate contou com a participação do produtor e diretor de cinema, Bruno Torres, de Brasília, Fabio Lecci, fundador da Escola Ecooar de Educação Ambiental ‘José Béttio’, de São Paulo, e do cineasta Pedro Novaes, diretor e produtor e sócio da Sertão Filmes, produtora de Goiânia.

Várias questões e sugestões foram abordadas no encontro, pensando na melhor maneira de como a praticidade, adequação de estrutura, locação, logística, equipamento, utensílios e outros recursos podem ser aplicados com criatividade para gerar menos danos e minimizar os impactos no meio ambiente.

Pedro Novaes falou de sua longa história de participações no Fica, como realizador, consultor, produtor, e da relação afetiva que tem com o evento. Pedro citou o elo que existe entre cinema e sustentabilidade, e qual o papel que o cinema pode ter dentro desse conceito no Fica? Para o cineasta, é importante entender o impacto positivo que o festival teve, principalmente para a cidade de Goiás, servindo como uma relevante vitrine de projeção, e como pólo catalisador de discussões nas questões dos ecossistemas. Para o cineasta, um dos norteadores é pensar em sustentabilidade como um processo, e não com um conceito absoluto.

“O Fica sempre é uma referência e serve de ponte entre o local e global, e sempre teve um conjunto de ações voltadas para a cidade de Goiás, como os projetos “Fica Animado” e o “Se Liga no Fica”, que tiveram amplo engajamento da rede municipal de ensino e das crianças da região, sem falar nos processos de formação. Eu mesmo sou um exemplo disso, o Fica me proporcionou muitas oportunidades de trabalho e produção. E é gratificante ver esse festival voltar a cena, ver a visão positiva que as pessoas têm desse evento”,  pontuou o cineasta.

 

Corrente do bem

O paulista Fabio Lecci, que participa pela primeira vez do Fica, citou sobre sua experiência nos processos de reflorestamento que ele desenvolve, e de como esses mecanismos podem facilitar na compensação de impactos gerados por pessoas, empresas, redes sociais, produções audiovisuais e outros.

Para Fábio, toda ação em prol do meio ambiente, pode parecer pouca, mas é válida. “Cada vez que se planta uma árvore, de certa forma, você gera conhecimento, gera cultura. Se em cada evento, for possível deixar um legado, como uma praça, uma escola sustentável, já é um ganho, e com isso, é possível caminhar para uma finalidade comum, gerando assim uma corrente do bem”, finalizou.

O diretor de cinema, Bruno Torres, agradeceu o privilégio de poder participar de um encontro virtual para falar de um dos maiores festivais voltados para o cinema ambiental, que é o Fica. Bruno confidenciou que a questão da sustentabilidade é um assunto que tira um pouco seu sono, porque para ele, sustentabilidade é sobrevivência, é a busca do equilíbrio entre o suprimento da necessidade humana e a preservação do ambiental, e nem sempre isso é possível.

“O Fica volta a atenção para o meio ambiente, e isso é inegável, mas todos nós, realizadores, produtores, gestores, precisamos entender que tipo de contribuição estamos deixando  para o meio ambiente, dentro desse pilar que é o social, o econômico e o ambiental, fatores que precisam interagir de forma harmoniosa”, disse o cineasta.

Segundo Bruno, para o audiovisual entrar no mercado de modo mais sustentável, é preciso que ele passe por reformulação, adequação a produtos biodegradáveis, que tenha ações e estratégias de apoio de profissionais que olhem o meio ambiente com um bem sustentável, e não somente consumista.

Fica virtual

A mesa de debate “Cinema Sustentável” foi transmitida ao vivo pelo canal do YouTube da Secretaria de Cultura (Secult Goias), assim como as demais atividades da programação do Fica, que segue, em formato virtual, até sexta-feira, dia 20, em razão pandemia da Covid-19.

No sábado, dia 21, haverá a cerimônia de premiação das mostras competitivas do festival, que também estão disponíveis durante esta semana do evento e podem ser conferidas no site: www.fica.go.gov.br.