Caio Dornelas, Cristiane Oliveira e André D’Élia abordaram, durante a atividade, diversos tópicos de interesse do público da carreira cinematográfica

As mentorias do Laboratório Audiovisual Goiano de Roteiros e Projetos começaram, nesta terça-feira (17/11), com a entrega de vasto conteúdo e insights sobre processos cinematográficos. O produtor Caio Dornelas, a cineasta Cristiane Oliveira e o diretor André D’ Élia compartilharam suas experiências com realizadores, para auxilá-los na elaboração, construção e finalização de seus materiais.

Os projetos foram selecionados pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-GO) e inscritos com antecedência no laboratório, no início de novembro.

Os profissionais deram mentorias e orientações gerais sobre o tema ao público que quer seguir a carreira de direção cinematográfica.

O Roteiro

“Apenas um bom tema não põe filme de pé. Ele põe literatura, mas um filme, não. Filme precisa de ação”, enfatizou várias vezes Caio Dornelas em sua consultoria, pois o projeto que ele analisou está em fase inicial de roteirização.

“Mesmo que não apareça na narrativa visual do filme, meu conselho é que se escreva, junto do roteiro principal, uma história completa sobre os protagonistas. Quem são eles? Como é a relação deles com os pais? Do que eles gostam e não gostam? Quais acontecimentos marcaram a vida desse personagem desde a infância?”, observou Caio. Ele explicou que, ao ambientar os personagens principais, o realizador permite que o telespectador capte a essência das pessoas retratadas, mesmo que esses detalhes não estejam explícitos nas cenas.

Ferramentas de convencimento

Outros pontos destacados pelo diretor são boa sinopse e logline (resumo em uma linha), com informações concretas sobre o filme. “Mesmo filmes experimentais, com uma linguagem desconstruída em relação ao cinema tradicional, requer essas ferramentas com função estrutural”, pontuou Caio Dornelas, elencando que esse material também facilitará no momento de vender o filme, pois são “ferramentas de convencimento”.

“Depois do material pronto, a sinopse ganha outra proporção. Busca-se o valor monetário. Minha dica é não fazer a sinopse para você (realizador), mas para quem poderá financiar seu material ou assistir seu filme”, concluiu.

Tratamento

As mentorias de André D’ Élia e Cristiane Oliveira basearam-se em aspectos de tratamento dos filmes. Os projetos avaliados por eles já estão mais formatados, com cortes (versões) preliminares esboçados. Precisam passar por algumas etapas de melhoramento em diversos aspectos, como finalização de cor, inclusão ou retirada de imagens, realojamento de cenas, dentre outros pontos.  “O primeiro tratamento é só o começo (da criação do filme). É preciso cuidado (nesta fase), ainda mais quando se trata de assuntos mais delicados”, ressaltou André D’ Élia aos seus mentorados.

Segundo ele, nesta etapa, o roteiro passa por várias mudanças, relido e reescrito inúmeras vezes. “Importante refazer até ‘engatar’. Pesquisar muito sobre o tema, para fugir do ‘pré-concebido’, estereotipado e não cair em velhos clichês”, alertou.

Cristiane Oliveira avaliou um filme em etapa um pouco mais adiantada, por isso suas orientações foram direcionadas ao material e, portanto, sigilosas. Uma dica geral interessante dada pela cineasta é a de que jovens realizadores devem se atentar para detalhes como o de “pensar no formato e tamanho do filme ainda na fase de elaboração, tendo por base as regras dos festivais que se têm em mente participar”.

“Pois há festivais, não muitos atualmente, que especificam o tempo de duração de maneira mais rígida, e isso pode ser critério de análise para seleção, pois se for um material mais longo, pode ocupar o espaço de outros filmes menores, por exemplo, e isso vir a ser motivo de desclassificação”, disse.