Atividade faz parte da 21º edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica)

A oficina de “Direção de Documentários” da 21º edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) foi encerrada nesta quinta-feira (19) após três dias de trocas de experiências e instruções da cineasta Camila de Moraes.

 

Durante a oficina, os participantes foram convidados a realizarem exercícios práticos que auxiliam na direção, além de poder executar o que haviam aprendido na teoria. Camila também exemplificou as formas de se pensar a direção de documentários, a partir de depoimentos de diretores e roteiristas já renomados no circuito nacional, além de sua própria direção no filme “O Caso do Homem Errado”.

 

Segundo a cineasta, o diretor precisa pensar suas produções e em como elas podem causar a reflexão no espectador.  “Esse é o poder que a gente tem com o audiovisual: de ir comunicando com as pessoas, de um sentimento que parte do eu e encontra outros que estão sentindo a mesma coisa”, afirmou.

 

Camila também lembrou da importância de se colocar em prática o argumento que o diretor tenha montado para o documentário, para que o processo de criação e direção esteja cada vez melhor. “Isso se descobre muito no fazer e na prática. Nos primeiros momentos vamos sentir inseguros, até a hora que você vai fazer um vídeo e vai chamar todo mundo para ver”, completou.

 

A documentarista ainda falou sobre a importância das linguagens usadas no audiovisual, (imagens e texto) para a compreensão do público em relação a mensagem que o documentarista queira passar e nas reflexões futuras do espectador.

 

Ela ainda falou sobre a importância de fazer os registros pessoais em todos os processos de um documentário, já que o produto final depende disso. “Quanto mais a gente se envolver, e ter a percepção de como foi, mais vai resultar nessa obra. Por isso, é importante aproveitar o processo, fazer registros e aprender”, concluiu.

 

Documentarista

Camila de Moraes é jornalista e graduanda no curso B.I. de Artes com concentração em audiovisual pela Universidade Federal da Bahia. Na área do cinema dirigiu o documentário de longa-metragem “O Caso do Homem Errado” que aborda a questão do genocídio da juventude negra no Brasil. A cineasta se tornou a segunda mulher negra a entrar em circuito comercial com um longa-metragem após 34 anos.

 

O longa esteve na lista de pré-selecionados pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil e concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2019. Atualmente desenvolve o projeto de uma série de ficção chamada “Nós Somos Pares” que aborda a vida de seis mulheres negras e suas relações de amizade e amores.

 

Fica Digital

A oficina “Direção para documentários” foi realizada por meio da plataforma digital Zoom. Por conta da pandemia da Covid-19, todas as atividades da 21º edição do Fica serão virtuais.

 

Durante toda a semana, estão sendo realizadas oficinas, laboratórios e mesas redondas, por meio de plataformas digitais. As mostras “Washigton Novaes” e “Fifi Cunha” também estão disponíveis durante esta semana de festival. Os filmes selecionados e toda a programação do Festival podem ser vistos no site www.fica.go.gov.br.